Sono ruim aumenta o risco de Alzheimer?

Pontos-chave

  • O sono participa da “limpeza” do cérebro.
  • Alterações do sono favorecem acúmulo de proteínas tóxicas.
  • Dormir bem pode proteger a cognição.

O sono é um processo biologicamente ativo e essencial para a manutenção da saúde cerebral. Durante o sono profundo, ocorre a ativação do sistema glinfático, responsável pela remoção de metabólitos acumulados no cérebro ao longo do dia, incluindo a proteína beta-amiloide, diretamente associada à doença de Alzheimer.

Revisões recentes mostram que distúrbios do sono, como insônia, sono fragmentado e redução do sono profundo, estão associados ao aumento do risco de declínio cognitivo. Esse efeito parece estar relacionado à redução da capacidade de “depuração” cerebral, favorecendo o acúmulo progressivo de proteínas neurotóxicas.

Além disso, o sono inadequado impacta diretamente processos como consolidação da memória, regulação emocional e função executiva. Na prática clínica, pacientes frequentemente relatam piora cognitiva em contextos de privação ou má qualidade de sono.

Diante disso, o manejo do sono deve ser considerado parte integrante da prevenção cognitiva. Intervenções comportamentais, higiene do sono e tratamento de distúrbios associados podem representar estratégias relevantes de proteção cerebral ao longo do envelhecimento.

Referências

Safiri S et al. Frontiers in Medicine, 2024.
Livingston G et al. Lancet Commission, 2020.